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LUGAR DOS ROMANZINHOS

EEUU, China, a UE e nós

10:54 17/02/2009

Na sua recente estância em Alemanha para assistir em Munique a uma Conferência Internacional de Segurança, o Vicepresidente dos EEUU Joe Biden afirmou a vontade de manter ao mundo na dependência das decisões políticas e estratégicas tomadas polo seu Governo, agora baixo a capa do multilateralismo. Dixo que a nova Administração estadounidense está decidida a observar un “decente respeito pola opinião dos demais”, agindo de “forma conjunta sempre que possam”, de maneira que “se actuam em solitário será porque não lles quede outro remédio”. Agregou que “América (sic) necessita ao mundo, como o mundo necessita a América”. Biden refería-se a assuntos como o de Afganistão, Iraque ou Irão, mais situou de novo ao seu país no centro de todo, mostrando uma actitude que inclui o tratamento da crise económica com medidas que semelham guiadas polo propósito de retomar o rego do neoliberalismo.   

A experiência desta crise serviu para demonstrar que o mundo não cabe na ideia de uma potencia planetaria, os EEUU, que controlaria as órbitas de múltiplos Estados satélites. Basta lembrar que no tempo de Georges Bush o Governo norteamericano gastou na guerra de Iraque um bilhão de dólares (sobre 132 bilhðes de pesetas) e instrumentou recortes de impostos de dous bilhðes de dólares. Mostrando as consecuencias da mundialização desnortada que propiciara, a recesão económica nesse país deu lugar a um trastorno global. Olhando para Asia (todo a causa da abrupta diminuição das exportaçðes a EEUU), se em 2007 o PIB de China medrara o 12%, em 2008 essa cifra diminuiu em quatro pontos, sendo praticamente nulo o crescimento do último trimestre. Polo mesmo motivo, o PIB de Japão reduziu-se nesse período mais do 10% em taxa anual e o de Corea do Sur um 21%. A caida económica dos EEUU, trasladando-se a grandes Estados como o chinês que exportam de maneira saliente ao país norteamericano, causará por outra parte graves padecimentos em paises pouco desenvolvidos, principalmente africanos, que nos últimos tempos abriram relaçðes económicas relevantes com Estados emergentes como, ademais de China, Índia ou Brasil.

A crise financeira trouxe à recesão económica. Sendo necessárias, as medidas contempladas polos EEUU -investimentos publicos em infraestruturas, incentivos fiscais e um plano de rescate das entidades financeiras- para superar o estancamento pertencem a um mundo sobrepassado. Não põem propriamente em causa o vesánico fundamentalismo de mercado que dominou desde 1989, nem têm em conta a multiplicidade de actores principais da economia mundial. Essas medidas não consideram a urgência de agir prioritariamente em prol dos paises pobres ou em desenvolvimento, nem tendem a garantir servizos públicos básicos para todos, dos que carece também uma parte da povoação do mundo rico, em especial nos Estados Unidos. Tampouco se orientam cara um modelo de desenvolvimento respeitoso com a natureza e as fontes da vida, num caminho que mesmo obrigará a um desenvolvimento científico e tecnolóxico que pode dar lugar a uma fase de crescimento sustentável e descentralizado contraditório –não há mais que pensar nas potencialidades das fontes energéticas alternativas- com o praticado polos monopolios que hoje dominam a economia mundial.  

No novo sistema económico a União Europeia, com as naçðes que a compðem, pode ter uma função transcendente. Por ser a primeira economia do planeta e dispondo do euro, tendo a experiência do valor dos serviços públicos básicos -a educação, a sanidade, as pensðes, a gestão da agua..-, sabendo da importancia do papel das instituiçðes civís como garantía do progresso e a solidariedade e com a experiência próxima do diálogo em paz, a UE deveria actuar no mundo com uma voz representativa de todos os paises e os cidadãos comunitários. É hora de que tome uma posição independente dos EEUU, abandonando os Estados o hábito de petarem em orde dispersa na porta de Washington. Este é momento de pôr em prática o Tratado de Lisboa que reforma os Tratados de Roma e de Maastricht abrindo caminhos para a unidade política na diversidade e para actuar no mundo como uma potência civil. 

Galiza, a nação e a súa economia, vivem neste ámbito global. O seu presente e o seu futuro não se limitam ao território estatal. Assumindo um projecto nacional mobilizador, os representantes políticos fariam bem em aprender dos actores empresariais e sociais, de tanta gente nossa que trabalha sem reduzir-se em fronteiras materiais e ideológicas filhas de um mundo ido.

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Camilo Nogueira

Camilo Nogueira Román naceu en Lavadores (Vigo) en 1936. Enxeñeiro industrial e economista, foi eurodeputado polo BNG entre os anos 1999 e 2004.



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