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LUGAR DOS ROMANZINHOS

Abrir-se à sociedade

12:30 14/04/2009

Frustrada a possibilidade de participar de novo no Governo Galego, o nacionalismo está obrigado a fazer o que ignorou nos anos passados quando perdeu a hegemonia na oposição ao PP da que dispunha em 1997 e 2001 ficando com uma representação no Parlamento de Galiza que neste momento não passa da metade da correspondente ao PSOE e de um terço do conseguido polo partido conservador. O BNG não pode obviar por mais tempo a necessidade de empreender uma reflexão sobre o carácter da sociedade galega e das circunstâncias do entorno estatal, europeu e mundial e, asemade, sobre a sua definição e estrutura interna como organização política. Todo num momento em que, para além da influência do Estado espanhol, que se fai presente em todos os aspectos da vida, e da debilidade das instituições autonómicas, a consciência política e cultural de Galiza como nação é agora maior que nos anos setenta do século passado, quando principiaba este raro momento de liberdade -escassa no problema nacional- na vida do Estado espanhol.

Sirvam para esse fim as considerações que seguem sobre elementos tão terminantes para Galiza situar-se como uma nação em si mesma, uma nação no mundo, como a economia e a língua.

Galiza tem hoje uma economia desenvolvida. Sem perder a relevância da agricultura e da pesca, é basicamente urbana e industrial. Por causa do esforço da sociedade e sem dever-lhe nada ao Estado espanhol, dispõe de uma multiplicidade de sectores produtivos que se situam á cabeça dos da Península. Tem um carácter mais internacionalizado e exportador que praticamente todas as CCAA, mesmo que Catalunha e Euskadi e a grande distância de Madrid. Contra a ideologia da pobreza essencial do país e do carácter inevitável da dependência, não necessita subvenções estatais, senão mais autogoverno e particularmente um sistema fiscal próprio. Entre outras cousas para solucionar o grave problema da emigração de tanta gente que, educada aqui e mais preparada que nunca, é obrigada a procurar trabalho fora, por toda parte.

No referente á língua, depois de cinco séculos de negação por parte da monarquia e do Estado espanhol e de permanência como fundamento da cultura popular, é preciso dizer que o galego está vivo. Mália não dispor de um Estado próprio resistiu frente á imposiçao do espanhol como língua única, ocupando nos últimos trinta anos espazos antes proibidos na vida política e social, no ensino, na cultura e na economia. Fixo-o num momento histórico em que a transformação radical da estrutura da sociedade pudo arruinar o seu uso: em vinte anos os activos agrarios autónomos diminuiram desde 40% a 8% do total (valores que não recolhem toda a dimensão da mudança demográfica do mundo rural), crescendo a cifra de trabalhadores assalariados na indústria e nos serviços de predominância urbana. Mália todo, em cifras absolutas o galego é usado no mundo urbano mais que antes da mudança da estrutura económica e social e a consciência do seu carácter como língua propria e nacional supera com muito à existente quando remataba a Ditadura. É certo que queda muito que fazer. Talvez o mais importante seja manter-se firme na ideia de que as línguas, sendo como são políticas e sociais, no tempo actual necessitam especialmente de uma instituição estatal, função que culposamente não cumpriram as instituições autonómicas galegas. É por isso que, ao tempo que reclama o compromiso individual na defesa da língua propria frente á marginação, o nacionalismo galego tem que situar o problema da normalização no ámbito político, sem fazer concessões aos que querem a sua ruina como língua nacional com o pretexto de defenderem o espanhol, que não os necessita. Que as instituições de Galiza actuem a respeito do galego com determinação estatal e com independência supõe ademais reconhecer a imensa fortuna de que, através da língua comum galego-portuguesa e sem perder a sua diferença, é falado por centos de milhões de persoas. Circunstância tão transcendente proporciona-nos uma especial personalidade mundial e uma capacidade de relação com Portugal, Brasil e múltiplos Estados africanos e do Pacífíco que se agrega às que já temos abertas na União Europeia e às que podemos praticar com o resto dos países do continente latino-americano.

En todo o caso, o BNG galego tem que superar a posição acomodatícia e as vezes rendida mostrada nos últimos anos, quando atribuiu o declinio sofrido a elementos externos tais como o poder da direita estatal, a falta de peso no Estado ou um suposto incremento da espanholização da sociedade galega. De acordo com a sua responsabilidade, deve assumir á necessidade urgente de adequar a sua definição e a sua estrutura interna ás circunstâncias do presente. Como organização nacionalista e da esquerda, pluralista e para todos como exige a cuestão nacional galega, abrindo-se à sociedade à que pertence e da que depende. Sendo quem de convence-la.

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Camilo Nogueira

Camilo Nogueira Román naceu en Lavadores (Vigo) en 1936. Enxeñeiro industrial e economista, foi eurodeputado polo BNG entre os anos 1999 e 2004.



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