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LUGAR DOS ROMANZINHOS

Belém da Amazônia

09:24 10/02/2009

O Foro Social Mundial de Belém é o oitavo dos celebrados desde 2001. Assistim a todos. Ajudei  mesmo desde  o Parlamento Europeu no impulso do primeiro em Porto Alegre quando os governantes de Rio Grande do Sul, do Partido dos Trabalhadores, visitaram a Cámara procurando o apoio da esquerda do nosso continente. Nessa cidade teriam lugar quatro Foros decisivos.   Difundiram no mundo a ideia de que outro mundo é possível num momento em que boa parte da esquerda governante ficava rendida, dando por inevitável a globalização neoliberal. Os Foros de Mumbai em 2004, antes do último de Porto Alegre, da República de Mali em 2006 e de Quénia em 2007, respondendo à vontade da participação directa de todos os continentes, tiveram a virtude de reunir organizações e gente de diferentes paises da Índia e África com culturas e circunstâncias diversas para tratar dos problemas comuns no quadro da mundialização. Para os que acudimos desde Europa ou América a experiência resulta insubstituível. Participando uma diversidade de movimentos sociais, culturais e políticos, os Foros Sociais Mundiais constituiram o lugar central da difusão do pensamento alternativo abrindo caminhos antes fechados frente a determinismo capitalista e militarista.

Valeu-se desta ideia o Presidente de Bolívia Evo Morales, quando na palestra que compartilhou em Belém ante dez mil persoas com os presidentes Inácio Lula da Silva, Rafael Correa, Guillermo Lugo e Hugo Chávez, falou da sua presença no primeiro Foro de Porto Alegre. Para el, daquela um destacado lider campesinho, Lula era alguém “inalcanzable”. Hoje como presidente de Bolivia e depois de dous séculos de independência dos europeus americanos, está a fazer a descolonização dos indígenas do pais, caminhando ao par dos demais presidentes, companheiros cordiais todos, pola via da independência de Latinoámerica na construcão de outro mundo.

No Foro deste ano Galiza esteve especialmente presente através da tenda temática do Direito Colectivo dos Povos e Nações sem Estado organizada pola Fundación Galiza Sempre, o CIEMEN catalão, o Kurdish Network, o Herriak Aske, o CAOI dos povos indígenas do continente e o Tamil Center for Human Rights, com a presença do Foro Social Galego, a CIG e o Sindicato Labrego Galego. Os múltiplos debates, com palestras nas que ademais estavam representantes de Palestina e Saara Ocidental, foram seguidos por uma nutrida assistência, com intervenções e coloquios de alto nível.

Dedicado o Foro de Belém de modo especial à Amazônia e com a presença em toda a parte de brasileiros do nações indígenas, falantes de guarani, tupi e outras línguas proprias, os debates deste ano trataram particularmente da crise económica mundial, das alternativas ao neoliberalismo e da mortífera agressão de Israel aos palestinos de Gaza. 

A manifestação do 26 de Janeiro que serviu de inauguração, 70.000 persoas segundo a   imprensa, uma maré insólita de gente para os que participamos, constituiu uma mostra certa do carácter e da vitalidade dos brasileiros: quando acabava de começar e durante uma hora caiu o fortíssimo chuveiro habitual em Belém neste tempo a meia tarde, sendo recebido com uma explosão de canções, música e bailes, sem a marcha ser interrompida em nengum momento.

Capital do Estado de Pará, Belém tem 1,5 milhões de habitantes. Cidade de contrastes como todas as desse Estado continente, guarda a pegada urbana portuguesa, com edificios de notável beleza e uma fermosa Cidade Velha, visivelmente necessitada de restauração. As avenidas e praças dos bairros modernos contrastam com as aglomerações de casas modestas ou mui pobres onde mora uma parte importante das classes populares. Sendo o principal porto da Amazônia, a economia da cidade reflecte os problemas e a complexidade da exploração dessa região privilegiada. A gente, com mui notável presença de mestiços de europeus e índios e pouca de negros ou mulatos, resulta de uma amabilidade engaiolante.

Belém está deitada a cem quilómetros do mar num recanto da larga Baia de Marajó, constituida por um dos braços da desembocadura do Amazonas, a 6275 quilómetros do nascimento nos Andes do Peru. Máis ao Oeste, o principal braço do Rio sai já ao oceano no Estado brasileiro de Amapá, com a cidade de Macapá, justo na linha do Equador. Entre os dous braços do Amazonas, a Illa de Marajó (Pesqueiro, Salvaterra, Foz do Rio, Ponta de Pedras) tem a dimensão de mais de vez e meia Galiza, tão grande como Suiça.

Ocupando a metade da superfície de América do Sul, Brasil é um dos estados mais extensos do mundo. 190 milhões de brasileiros falam a língua de ambas beiras do Minho. Falam como nós. Eles, em Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém,  perguntam-nos de que parte do Brasil somos.

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Camilo Nogueira

Camilo Nogueira Román naceu en Lavadores (Vigo) en 1936. Enxeñeiro industrial e economista, foi eurodeputado polo BNG entre os anos 1999 e 2004.



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