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Eu detesto touradas...

Este é o nome de um grupo, de entre os muitos que existem na rede, do que eu faço parte para lutar contra a tortura institucionalizada que se exerce em diversos estados contra os touros. Eu, pra manifestar a importância e a dimensão que para mim tem esta macabra prática, para amostrar a repulsa e o nojo que me produz, devo começar a falar do tema polo princípio...

- 08:27 14/02/2007
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...Sentados arredor do lume, como sempre no inverno, não poderei esquecer o brilho nos olhos de meu pai mentres nos contava o que ele fizera em Ourense; ele vinha de atraiçoar um animal que fora seu, e com o que, apesar das diferenças, aprendera a se comunicar. O animal, semental para as vacas de toda a paroquia, era um chisco bravo demais para poder seguir fazendo parte da fazenda de casa. Mas isso não lhe servia de consolo a meu pai quando chegou do matadoiro dO Rúvio, onde tivera que participar no sacrifício do seu touro "Moreno", nomeado assim por ser ele escuro e não de raça ruiva como costumavam ser...

O Moreno era um boi escuro e pequeno, e quando se lhe botava a uma vaca, se a vaca era galharda, tinha que ser colocada com as patas de atrás num pequeno fojo no chão, feito com esse fim, para que o Moreno pudesse montá-la. A cousa ia indo, mas o boi a cada vez se fazia mais difícil de manejar. Em primeiras até fora jungido uma vez para fazer de cambão na carreja, porque a jugada das vacas não dava tirado o carro tão enorme de centeio que meu pai carregara. Quando a jugada não dava subido o carro pola costa da Lajeira, decidiram jungir o boi com outra vaca, mas o Moreno negava-se a tirar do cambão, e ao ser aguilhoado meteu um pulo e pisou-lhe um pé a meu pai; aquele dia a meu pai houve de lhe custar a vida... Outro dia, meu irmão José teve que se subir a um carvalho e permanecer lá a tarde toda, porque se tentava baixar o boi se lhe ia acima... A última vez que meu pai o sacou da corte para lho botar a uma vaca, o boi negara-se a se apartar dela logo de a ter montado... e meu pai teve que o levar desde as airas de Abaixo dando-lhe na cabeça coa moca, alternativamente um golpe de cada lado da testa, mais ou menos tratando de lhe ir acertando na zona onde se junta o corno com o pelo... o boi fez o percorrido de ceia-cu, aos poucos, e foi assim que entrou na corte... Aquele dia meu pai disse "tu já não sais mais que para o matadoiro" Meu dito meu feito, o Moreno ficou na corte até que veio por ele o camião d´O Rúvio.

Meu pai teve que ir a Ourense para cobrar o que lhe iriam dar por ele, fora vendido ao peso, mas ele não antecipara que teria que ajudar a matar o animal... Sucedia, contara meu depois pai, que quando lhe iam cravar "...esse chuço que lhe espetam no alto da cabeça..." o animal fazia um movimento brusco e impedia que lhe acertaram o golpe... E o animal estava, diziam eles, mui alterado... meu pai foi avisado da situação e passou adentro onde estava o boi, entrou na sala e pronunciou seu nome "Moreno... e ló que che fam hom!" E o boi emitiu um surdo orneio ao ter reconhecido seu amo... Então meu pai achegou-se a ele cofeou-lhe a cabeça, e tapou-lhe um olho... foi assim que os do matadoiro puderam, agora sim, rematar com a vida do animal... Quando meu pai fala nisso à noite na casa, seus olhos brilham e todos sabemos que está fazendo um esforço para reter as lágrimas...

Os animais, não vamos negar, tem sido sempre utilizados para tirar benefício deles em todas as culturas, ora, sempre dentro de certa ordem, certa necessidade, e certo respeito também... Julgo que podemos afirmar, sem temor nenhum, que a Galiza é um país livre da barbárie taurina, por muito que se empenhe o Paco Vazquez... (ainda que se calhar com o seu passo polo Vaticano se tem reformado, ainda que o mais provável é que o papa remate espetando "banderillas", o tricórnio já o leva). Eu ainda lembro que há alguns anos num de tantos intentos re-colonizadores do centralismo, um verão se instalaram praças de touros portáteis ambulantes polo nosso território. Sei de gente, mesmo algum empregado do matadoiro de ali de Ginzo, que assistiu a uma dessas "corridas" e saíra descorrentado e escandalizado logo de participar nos berros contra aquilo que ele qualificava de tortura... porque diz que não suportava ver como o "bezerro" estava sendo espetado e a sangrar polo coiro abaixo... Não volvi ver que tentaram trazer essa monstruosidade por as terras da Límia, acho que deveu ficar patente que a gente não desfrutava com aquilo.

Talvez seja o momento, e talvez tenha de vir da mão das mulheres... A Ministra espanhola de meio ambiente já lançou seu meio desafio, que é de louvar, e foi calada polos bárbaros, entre os que incluo o Llamazares que também, como se diz em linguagem moderna, já lhe vale, ou logo também... lhe ronca o caralho...

Acho que estamos no momento, polo menos no nosso pais, onde a gente não parece estar dotada do sangue frio necessário para desfrutar com a tortura tão desnecessária de um animal. Aqui o máximo era, que já nem se faz assim, espetar-lhe o cutelo de ferro ao porco; e, apesar de que se fazia por razões económicas, sempre se lamentava em boca das mulheres da família o sofrimento que se lhe causava ao animal...

Desde aqui, desde a esta tribuna, quero instar á Conselheira de Cultura da Junta da Galiza, Dona Ánxela Bugallo, para que trabalhe na criação dos regulamentos necessários para que dentro do nosso território nacional não possam ter lugar este tipo de actos de tortura aos animais. Julgo que encontrará muito apoio na Europa, e que criará uma imagem da Galiza digna de si mesma... Que para o que o não saiba, devo acrescentar, sempre foi terra pioneira na Península na adopção de medidas humanitárias...


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